Daniil Kharms foi um dos artistas mais originais do vanguardismo russo. Na década de 1920, trouxe influências das vanguardas do começo do século XX, como de Velimir Khlébnikov (1885-1922) e de certa forma da linguagem transmental, o zaum, e do suprematismo de Kazemir Malévitch (1879-1935); depois, na década de 1930, sempre permeada de humor ferino, a obra de Kharms tornou-se mais filosófica e metafísica, voltada para o estudo dos objetos, pessoas e coisas, e suas interações, numa linguagem transgressora, alógica e inventiva. Partindo de pequenas situações cotidianas, o poeta expressou as fragilidades do ser humano e as incongruências da vida, em busca de uma nova percepção de mundo e da arte.